
Cinema de Novo – Um Balanço Crítico
da Retomada
Os
anos 90 foram marcados pela retomada do cinema brasileiro.
Não que em alguma época ele tenha acabado, mas
os primeiros anos desta década a produção
caiu a quase zero, com o fim de órgãos federais
como a Embrafilme, o Concine e a Fundação do
Cinema Brasileiro.
Com o sucesso comercial da farsa histórica Carlota
Joaquina: Princesa do Brasil, de Carla Camurati, lançado
em 1995, o público voltou a assistir a filmes nacionais
sem preconceito.
O jornalista Luiz Zanin Oricchio acompanhou toda a produção
destes últimos anos escrevendo críticas para
o jornal O Estado de S.Paulo e mostra, neste livro, o seu
olhar arguto sobre os filmes mais significativos do período
(1995 a 2002). Ele termina em 2002 porque foi o ano em que
foi lançado Cidade de Deus - filme emblemático
desta fase. Eles são analisados e classificados segundo
a temática (sertão/favela; conflitos de classe;
relacionamentos amorosos, etc).
Ao comentar o filme mais pessoal de Hector Babenco, Coração
Iluminado, Zanin faz uma crítica a forma como
o público recebeu a fita. “Décadas de
dieta hollywoodiana tornaram as pessoas seriamente dependentes
de um certo grau de realismo. Como outras dependências,
essa também não se supera sem esforço,
algum incômodo e força de vontade. A síndrome
de abstinência, que se manifesta no curto espaço
de tempo de uma sessão de cinema, pode gerar frustração
e agressividade, como de fato aconteceu durante as projeções
de Coração Iluminado.” (pág. 88)
Sábado, de Ugo Giorgetti, que trata do conflito
social com humor, é, segundo Zanin, uma “releitura
da cordialidade brasileira” e não apenas uma
boa comédia. “A gente do povo, aqui, não
é mistificada, nem folclorizada. Querem ‘tirar
uma casquinha’ dos bacanas que estão lá,
também querendo tirar uma casquinha da gente do povo.
A presença deles, lado a lado, limita-se ao interesse
de um dia de filmagem, nada além disso. O conflito
social não se ameniza, e é tratado a brasileira.
Sem posições claramente demarcadas, sem que
a contradição conduza à luta aberta.
Dá-se um jeitinho, as soluções são
negociadas e os dois lados querem levar vantagem um sobre
o outro. Com toda a gentileza possível, típica
de um país cordial.” (pág. 169)
Vale a pena ter em casa para consultar e refletir um pouco
mais sobre os filmes, entender o contexto em que foram produzidos
e enxergar as nuançes de representação
da sociedade brasileira antiga e atual.
Serviço: O Cinema de Novo - Um Balanço
Crítico da Retomada
Autora: Luiz Zanin Oricchio
Editora: Estação Liberdade
256 Páginas
Ano de Lançamento: 2003
Preço Médio: R$ 36, 00
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